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Política no perfil profissional: por que engaja e como fazer sem falar de candidato

Foto do escritor: Pixen Assessoria
Pixen Assessoria
21 de set.
5 min de leitura

Falta menos de duas semanas para o primeiro turno, em 4 de outubro, e o segundo, onde houver, vem em 25 de outubro. Até lá, o feed de qualquer profissional liberal vai ser atravessado pela mesma tentação: postar alguma coisa sobre a eleição e ver o que acontece.


Quem já fez isso sabe o que acontece. O post anda. Comentário, compartilhamento, mensagem no direct, gente que nunca tinha interagido aparecendo do nada. Numa semana de alcance fraco, é difícil resistir a repetir a dose.

Este texto é sobre essa tentação. Sobre por que ela funciona, por que quase sempre sai cara para quem vive de reputação técnica, como aproveitar o que ela tem de bom sem citar um único político — e o que fazer se você já passou do ponto.


Por que política engaja tanto?


Não é impressão sua. Um estudo publicado na PNAS em 2021 analisou mais de 2,7 milhões de posts de veículos de imprensa e parlamentares americanos no Facebook e no Twitter. Posts sobre o grupo político adversário foram compartilhados cerca de duas vezes mais que posts sobre o próprio grupo, e cada termo que fazia referência ao lado oposto aumentava em 67% as chances de compartilhamento.


A linguagem sobre o adversário foi o preditor de engajamento mais forte entre todos os medidos, bem acima de linguagem negativa ou moralizante. E veio acompanhada, sobretudo, de reações de raiva.

Os dados são dos Estados Unidos, mas o efeito não variou com a orientação política nem com a plataforma.

Quem acompanha rede social brasileira em ano de eleição não vai achar o resultado exótico.


O que existe de bom nisso?


Seria desonesto dizer que não há nada a ganhar.

Posicionamento humaniza. Um profissional que nunca demonstra convicção sobre coisa alguma pode soar asséptico, e há públicos que valorizam quem diz o que pensa.


Além disso, parte do que se decide numa eleição afeta diretamente a sua profissão: financiamento, tributação, regulação, o escopo do que você pode ou não fazer.

Silenciar por completo sobre isso também é uma escolha, e às vezes ela soa como omissão.

E tem o engajamento em si. Alcance orgânico está caro em todas as plataformas, e um post que circula traz visibilidade que um conteúdo técnico levaria semanas para conseguir.


Por que costuma sair caro?


A primeira conta é de audiência. O engajamento partidário recruta gente pela concordância ideológica, espalhada pelo país inteiro, sem nenhuma intenção de contratar você. Os números sobem, a agenda fica onde estava.

A segunda é de confiança. Quem contrata um profissional liberal está comprando critério, e simpatia entra pouco nessa decisão. Quando você ataca o lado de alguém, essa pessoa raramente conclui que vocês só pensam diferente; ela passa a se perguntar se o seu julgamento é confiável.

E nenhuma carteira de profissional liberal é de um lado só.

A terceira é jurídica, e é a que menos gente conhece. Você pode manifestar opinião política no seu perfil pessoal: a Lei 9.504/97 permite que qualquer pessoa natural faça propaganda nas redes, desde que não contrate impulsionamento. Impulsionar conteúdo eleitoral é exclusivo de partidos, federações, coligações e candidatos (art. 57-C), e o TSE já puniu um não candidato que pagou para impulsionar vídeos de apoio alegando que era só posicionamento pessoal. A multa vai de R$ 5 mil a R$ 30 mil, ou o dobro do valor gasto, se for maior.


No perfil da empresa a regra é mais dura. Propaganda eleitoral em página de pessoa jurídica é vedada mesmo quando gratuita (art. 57-C, §1º, I), e o TSE já aplicou isso a perfil de empresa em rede social. O Instagram ou o LinkedIn da clínica, do escritório, do estúdio não é lugar de candidato. Nem de graça.


O espaço físico também entra. Para a lei eleitoral, local privado aberto ao público é tratado como bem de uso comum (art. 37, §4º), onde propaganda é proibida. O TSE já enquadrou nessa categoria lojas, óticas, drogarias e, em 2025, hospitais privados. Não há precedente específico sobre consultório ou escritório, mas a lógica se aproxima bastante.


A quarta conta é a que mais cresce: a equipe. O MPT recebeu centenas denúncias de assédio eleitoral em 2026, 95 delas só em agosto. E o TST tem sido rigoroso. A 2ª Turma reformou uma decisão regional que considerava legítimo a empresa usar posicionamento político como ferramenta de marketing, e entendeu que a campanha ostensiva no ambiente de trabalho configurava abuso do poder diretivo mesmo sem prova de que alguém tivesse sido obrigado a nada.

Em outro caso, a 3ª Turma manteve indenização a um empregado obrigado a assistir lives políticas do dono da empresa (Ag-AIRR-195-85.2020.5.12.0046).


Por fim, o seu conselho profissional. Praticamente todos exigem sobriedade e caráter informativo na comunicação. O Código de Ética Médica, para ficar num exemplo, veda que interesses políticos interfiram na escolha dos melhores meios de prevenção, diagnóstico ou tratamento (art. 20). A opinião continua livre; o risco está em ela contaminar o conteúdo técnico.


Como aproveitar a tensão sem falar de político


Volte ao estudo. O engajamento nasce de tensão e de pertencimento, e a política partidária entrega as duas coisas pelo atalho mais barato, que é o ataque. Só que tensão existe em qualquer assunto com consequência real — dinheiro, segurança, direitos, tempo — e é nesse terreno que o profissional liberal joga com vantagem.


A regra é trocar o "quem" pelo "o que muda". Em vez de falar de quem vai decidir, fale do que está em jogo e do que muda para quem te lê. Na prática, isso rende alguns formatos que funcionam muito bem em período eleitoral.


Explique o tema, não o candidato. Todo ciclo eleitoral traz à tona assuntos que tocam a sua área. O advogado tributarista pode explicar o que muda na tributação de serviços nos próximos anos. O médico pode destrinchar a nova resolução de sedação do CFM e quanto ela custa para uma clínica se adequar. Contadores, arquitetos e psicólogos têm pautas equivalentes. O leitor sente que o assunto é quente porque ele é, e você não precisou escolher lado nenhum.


Pergunte em vez de responder. "Cinco perguntas que eu faria a qualquer candidato sobre saúde suplementar" é um post que engaja, provoca comentário e não tem nome próprio. Você demonstra domínio do tema e devolve a decisão ao leitor, que é onde ela deve ficar.


Desmonte o mito, não a pessoa. Campanha é terreno fértil para afirmação errada sobre tema técnico. Corrigir a afirmação com dado e fonte, sem atribuí-la a ninguém, é conteúdo de altíssimo valor. O cuidado é não fazer isso de um jeito em que todo mundo saiba exatamente de quem você está falando — crítica com endereço óbvio volta a ser partidária.


Mostre os dois lados de uma disputa da sua área. Tem muita política dentro das próprias profissões: conselho contra Justiça Federal, conselho contra conselho, categoria contra operadora. Explicar os argumentos de cada lado tem toda a tensão de um debate eleitoral e nenhum dos custos.


Antes de publicar, passe o texto por um filtro rápido. O post cita candidato, partido, número ou slogan? Faria sentido publicá-lo daqui a um ano, sem eleição nenhuma? Você impulsionaria com tranquilidade? Um cliente que vota diferente de você leria até o fim sem se sentir atacado? Se alguma resposta incomoda, reescreva.


Uma honestidade necessária: esse caminho engaja menos que o ataque. O estudo deixa claro que nada supera a hostilidade ao adversário em compartilhamento. Mas o engajamento que você deixa na mesa é justamente o que não vira cliente, e o que fica vem de gente que se importa com o seu assunto.

 
 
 

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